segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

O ROCHEDO.

Ele era esquesitão e adorava ficar isolado e solitário.

CAPITULO I - A Revelação.
Sua irmã se chamava Nadir e ele Zenite. Seu pai gostava de astronomia e ele herdou toda a carga de curiosidade do pai, mas um dia teve uma visão e compreendeu coisas que nenhum outro ser humano havia compreendido. Para ele o metodo foi apenas o de juntar um mais um e chegar a conclusão que o resultado era igual a dois. Rapidamente anotou sua percepção inédita da realidade e concluiu que a raça humana havia caminhado em direção errada por muitos séculos na maneira de tentar desvendar os segredos do universo. Estava na mão dele, duas folhas de papel bastaram para sintetizar alguns milénios de queimadas de mufas em busca da compreenção que ele e somente ele agora havia desvendado.
Neste dia caminhou tranquilamente para casa com as folhas no bolso e chegando em sua casa tomou um delicioso prato de sopa. Sua mãe estranhou a cara do garotão, aquele ar de felicidade sem muito sentido, mas julgou que ele havia finalmente perdido a virgindade e até sentiu um certo alívio por não ter mais que se preocupar com o bobalhão.
No dia seguinte ele escreveu a um laboratório de astronomia cujo endereço consegui numa revista ciêntifica velha que tinha. Escreveu de forma sintética e despretenciosa, julgou que não seria lido, mas menos de uma semana depois um carro enorme para em frente a sua casa e três homens muito estranhos batem à porta.
- Por favor queremos falar com o Sr. Zenite.
Alguns minutos depois ele saindo do banheiro, meio desarrumado e sem lavar as mãos atende aos homens sentado numas poltronas de vime que ficavam na varanda ao lado da entrada.
- Qual seu nome garoto?
- Zenite.
- Não, qual seu nome de verdade, não seu pseudonimo?
- Zenite é meu nome de verdade senhor, e minha irmã se chama Nadir.
Os homens se olharam e acharam aquilo tudo muito clichet demais.
- Onde você leu as coisas que nos escreveu?
- Eu mesmo conclui quando estava sentado na ponta de um rochedo, querem que eu mostre o rochedo?
- Não, não é preciso, depois podemos ver o rochedo. Mas você quer dizer então que concluiu isso tudo que escreveu por deduções próprias?
- É, eu tava muito sem ter o que fazer naquele dia...
- Você sabe que oque escreveu não só faz todo o sentido, esclarece quase todas as duvidas que temos a milenios no campo das mais variadas ciências como transforma Einstein numa mula estupida e cretina? Você acaba de riscar o nome da Einstein da história.
- Bem, ..desculpem senhores não era essa minha intenção...
- Foda-se Eisntein, você revolucionou o mundo, alguém mais leu seus escritos?
- Não senhor...
- Tem certeza, não comentou isso com ninguém?
- Ah sim, comentar eu comentei...
- Comentou é? E com quem você comentou isso?
- Com a Tia Zulmira.
- E quem é Tia Zulmira?
- Ela é minha tia.
- Bem, vamos tentar de outra maneira... Sabe que você acaba de danificar e acabar com a vida de todo mundo que vive de pesquisar nos campos da fisica, astronomia, engenharia quantica, engenharia nuclear... enfim, todos estamos agora classificados como mulas estupidas diante de um garoto que se chama Zenite e que descobriu sentado num rochedo aquilo de milhões de cerebros privilegiados e bem pagos nunca conseguiram descobrir... com isso virá o caos, o apocalipse da ciência, chamamos esta operação de Operação Revelação, e você é o pivot disso tudo, por isso receberá um tratamento especial para não neste momento, mas quando, e apenas quando for oportuno revelar ao mundo sua descoberta... mas temos que nos garatir disto, portanto nos diga, a Tia Zulmira deve ser uma tia velha que não deu bola e nem entendeu nada do que você disse a ela não é?
- Não senhor, ela entendeu tudinho, ficou muito admirada e conversamos horas sobre isso, ela disse que não via a hora de contar isso prás amigas dela.
- E quando foi que vocês conversaram horas sobre isso?
- Quando eu levei ela de ônibus até Pederneiras onde ela mora.
- Ah, a sua Tia Zulmira mora em Pederneiras, e gosta de contar as novidades para as amigas?
- Sim a Tia é uma mulher muito atualizada, fica sabendo de tudo na hora que acontece e adora ficar na janela pela manhã contando as novas para as pessoas que passam.
- E onde exatamente de Pederneiras ela mora?
- Bem no centro...
- Basta, você nos acompanhe... general mande seus melhores homens falar com a adoravel Tia Zulmira em Pederneiras!

CAPITULO II - Tia Zulmira.
O general escolheu 5 bons rapazes e os mandou numa missão bastante simples capturar, calar e trazer a Tia Zulmira que morava bem no centro de Pederneiras.
Foram em duas viaturas enormes e ao entrarem na cidade a cidade parou.
- Ei garoto você conhece a Tia Zulmira?
- Aquela que descobriu que o mundo...
- Sim esta mesmo!
- Numa casa amarelo canário bem no centro da cidade.
A casa gritava no meio da cidade, impossível não ve-la, e na janela Tia Zulmira falando sem parar para pelos menos umas três outras Tias de bobs no cabelo, vassouras nas mãos ou sacolas de supermercado.
O carrão parou e um dos rapazes foi até a porta de entrada, passando sem cerimônia ou respeito pelo portãozinho de ferro, transpondo o gracioso jardim e abrindo, não, quase arrancando a porta de tela. O rapaz em questão usava terno preto e óculos escuros, era loiro com cabelo escovinha, tinha 2,10 metros de altura e pesava entre 150 e 180 kilos. Tia Zulmira abriu a porta e antes do rapaz pensar em dizer "Boa Tarde" foi acertado no saco, em cheio, por uma panela de ferro, deu um gemido seco e caiu desmaido.
- Seu chupa cabra fio de uma puta... cê entrô no meu quintar acha que tá podeno?
Os outro quatro rapazes se posicionaram com pistolas automáricas e duas metralhadoras.
Um que estava agachado em posição de pronto e mortal ataque levou um cabo de vassouras na nuca e ao se mover para trás para ver o que acontecia, vie então senhora mirradinha, usando chinelos e meias furadas nos calcanhares que lhe deu uma joelhada no nariz e quebrou-o na mesma hora, ele ficou completamente tonto e caiu no chão asfixiado.
Dois foram pelos fundos, um deles foi atacado por um pequinez vesgo e de olhos muito saltados foi recuando de costas até conseguir entrar numa latrina de madeira no fundo do quintal, seu peso era muito para aquela construção e as madeiras do piso já estavam bem podres, tudo desabou e ele afundou com seus 2,07 metros e 135 kilos em 47 anos de bostas ali depositadas. Mas o azar maior foi que ao cair disparou sua arma e a sentelha fez explodir o gas metano ali acumulando fazendo chover bosta por 5 quarteirões de Pederneiras.
O segundo teve menos sorte, Tia Zulmira convencido de que era um chupa cabra que se multiplicava a cada porrada que levava, atirou sobre ele um ferro de passar roupas daqueles em que se usavam brasas. Obviamente Tia Zulmira não passava mais roupas com ele desde que comprara uma a vapor nas Casas Bahia, usando-o apenas para calçar a porta.
O ferro bateu de bico na testa do moço, partiu o óculos em dois e fraturou o crânio dele.
O quinto elemento gritou de cima da goiabeira onde conseguiu subir ( era uma goiabeira ridícula de um metro e meio de altura, mas para aqueles rapazes as proporções haviam perdido todos os sentidos em Pederneiras ):
- Tia Zulmira, preciso dialogar com a senhora.
- Ara seu chupa cabra fio da puta, se oceis só queria conversá purque num falaro logo. Vem cá que eu vou passar um cafezinho...

FINAL
Tia Zulmira ouviu atentamente o que o rapaz lhe falou enquanto o resgate removia os outro 4 rapazes de helicópito para o Hospital de Clinicas, e concordou em guardar segredo sobre o assunto todo que Zenite lhe havia contado, ou que deveria fantasiar tanto que as pessoas passariam a julgar aquilo uma história muito alucinada e incredula. Comeram metade de um bolo de mandioca e tomaram o café mais gostoso que o rapaz já havia provado na vida. A outra metade ela embrulhou e ele levou para casa.

CONSIDERAÇÕES FINAIS:
1) Zenite trabalhou como office boy de um laboratório de astro-fisica durante toda sua vida. Nunca foi promovido e sempre ganhou mais que o diretor geral.
2) Varios cientistas ficaram horas e mais horas sentados no rochedo indicado por Zenite mas nunca fizeram nenhuma descoberta relevante, apenas: 5 tiveram insolação ou desidratação e um caiu.
3) O rapaz que levou a panelada no saco teve uma das bolas extraidas para evitar uma infecção generalizada.
4) O rapaz que teve o nariz quebrado processou a velhinha, mas numa das audiências no forun de Pederneiras conheceu a filha da ré, se apaixonou por ela perdidamente e eles se casaram e tiveram lindos filhos, num Natal quando tentava ajudar a sogra com uma assadeira de pernil teve seu nariz novamente quebrado por ela em um lamentável acidente doméstico.
5) O rapaz que caiu na fossa abandonou a cerreira de agente e hoje trabalha como cabeleireiro em Dracena.
6) O rapaz que levou o ferro de passar roupas na testa recuperou-se bem depois de 3 anos de internação e numa das idas até o rochedo assegura ter descoberta o fórmula da coca-cola, montou uma fabrica de refirgerantes com o cunhado e faliu menos de um ano depois.
7) A goiabeira depois de tão bem adubada cresceu muito e ainda produz deliciosas goiabas brancas que são a alegria dos sobrinhos de Tia Zulmira, goiabas brancas são as melhores porque nunca conseguimos ver os bichos.
8) Depois da morte de Zenite um assitente de um cientista de 5º escalão descobriu uma falha grosseira na teoria que a invalidou completamente.
9) Tia Zulmira morreu sem deixar a receita do bolo de mandioca, mas nos anos todos que viveu nunca deixou de contar em detalhes a qualquer um que encontrasse a teoria do rochedo.
10) Zenite é o ponto vertical no céu que fica acima de sua cabeça, Nadir é o ponto vertical que fica baixo de seus pés, teoricamente o centro da terra ou o oposto de Zenite.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

DEUS NÃO QUER.

Dona Matilde atende ao portão. Nele um senhor com uma caixa de madeira com algumas ferramentas.
- Ainda bem que o Sr. chegou, eu já estava bastante preocupada.
- Boa tarde Dona Matilde, fique calma que eu vim pra ajudar a senhora. Deus abençoe a senhora.
- Venha por aqui e veja por favor.
Foram aos fundos da casa onde a cobertura com telhas de plástico e estrutura metálica havia despencado parcialmente da parede.
- Que coisa Dona Matilde, como isso foi acontecer? Um trabalho tão bem realizado, uma estrutura tão forte.
- Pois é, foi o vento desta madrugada.
- A senhora quer dizer que foi o vento desta madrugada que arrancou seu telhado?
- Sim foi, ai que susto que levamos.
- Pois então eu não posso consertar.
- Como assim não pode?
- É que se foi o vento, é porque é a vontade de Deus que o telhado caia e eu não contrario a vontade de Deus.
- Não, o senhor não esta entendendo, foi apenas um acidente natural, o vento sempre arranca as coisas do lugar, faça o favor, coloque isso tudo no devido lugar que eu alem de lhe pagar lhe dou uma gorjeta.
- Nem quero saber desse dinheiro... nunca, jamais irei contrariar a vontade de Deus.
- Mas não tem a vontade de Deus nisso aqui, foi apenas o vento...
- Não Dona Matilde, o vento é uma criação de Deus, ele atua sobre aquilo que Deus determina, e se Deus escolheu seu telhado pra ir ao chão eu não posso modificar a intenção Dele.
- Esta bem chega de brincadeira, vamos colocar isso logo no lugar antes que chova.
- Não com a minha ajuda ou interferência.
- O senhor já esta me tirando do sério.
- Deus não quer, eu não faço.
Pegou a caixa de ferramentas e foi embora.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

TATTO

Eliseu sempre desenhou muito bem e um dia fez um curso de tatuador. Comprou um equipamento baratinho de segunda mão lá mesmo na Galeria do Rock, mas não encontrou nenhum voluntário para nele praticar.
Mamãe pediu prá Eliseu fazer um favor, meio que obrigação mesmo.
- Zizinho, larga de ser vagau e leva esta cesta básica prá Tia Cristina.
- Ah não mãe... a tia mora lá na casa do caralho e tem uma puta ladeira prá subir depois do ponto final do onibus... vou não!
- Zizinho, tá aqui o dinheiro prô onibus, vai logo não enrola e vê se não assusta ela, cê tem cara de bandido filho. E óh seu anormal, se não chega lá falando palavrão. Vaza!
Eliseu saiu debaixo de um puta sol com a cesta básica no ombro, humilhado e com vontade de jogar a cesta num terreno baldio, mas não fez, sabia que era zica não entregar a cesta na casa da tia. Tomou o onibus e não tinha lugar prá sentar, desceu no ponto final e encarou a ladeira:
- Orra que essa porrrrrrra não acaba!
Parou na porta do prédinho, e agora, qual era mesmo o numero do apartamento dela?
Fazia quinze séculos que ela não vinha aqui, ele odiava aquela tia que fedia e era muito doida.
Que fazia ele comer aquele bolo nojento, mofado e com gosto de bunda.
Encontrou um moleque no corredor do segundo andar e perguntou:
- Oh mané, onde mora a Tia Cristina?
- Num tenhu ninhuma Tia Cristina nóia do caraiu!!!
- Vai te foder vacilão....
Bateu na porta que estava mais próxima, saiu um coroa de camiseta furada e encardida e perguntou:
- Fala gordão, que cê tá querendo aqui? Não comprei essa merda de cesta...
- É prá tia Cristina.
- É noutro bloco o balofo burro...
Virou as costas e entrou no outro bloco, bateu na primeira porta que achou no segundo andar e ouviu:
- Entra!
Ele entrou e viu a tia Cristina sentadinha no sofá lendo uma revista de cabeça prá baixo. Meu, ela era feia prá cacete, tinha a pele muito branca, acho que nunca tinha tomado sol na vida.
- Tia tá aqui a cesta básica...
- Coloca na cozinha... você é quem... é filho da... coloca na cozinha.
Ele colocou a cesta na cozinha e viu sobre a mesa mais de metade de um bolo mofado com gosto de bunda. Sentiu um puta nojo.
- indo...
- Quanto é?
- nada não...
Olhou prá ela e notou aquela pele branca. Um, curto circuito em seu cérebro maliguino deu a ideia:
"Tenho que tatuar essa velha!" Mas como? Como conseguir convence-la a deixar testar sua arte nela. Mas precisa convencer? E se eu dopar ela? Mas como dopar? Haroldo! O Haroldo da farmácia sabe, ele me ajuda!
- Tia , faltou uma parte da cesta que tava muito pesada, eu trago amanhã, pode ser?
- Claro amor, pega um pedaço de bolo...
- Quero não tia. Obrigado a senhora é muito gentil. Amanhã eu volto.
No dia seguinte ele pegou uma pacote de açúcar no armário de casa, seus equipamentos e tintas, alguns desenhos e passou na farmácia, falou com o Haroldo, aprendeu como fazer a coisa e tomou o onibus prá casa da tia.
Chegou lá mostrou o açúcar.
- Mas você veio até aquiprá trazer isso, que bom menino...
- Tia a senhora não quer uma água, uma chá, alguma coisa prá beber?
- Pode ser... me dá um cópo de leite...
E continuou lendo sua revista de cabeça prá baixo.
Naquele dia foi tudo muito fácil, e ele tatuou um escorpião com sombra no ombro dela, e durante o resto do mês fez vários outros pedaços e foi emendando tudo, nessa ele ficou 4 meses levando a cesta básica prá ninguém ir lá, dopando a tia quase todos os dias e já tinha tatuado ela inteirinha, incluindo todo o rosto, a bunda, os peitos e só livrou a sola dos pés porque mesmo ela dopada não parava quieta.
Animou-se e fez um curso de colocação de pierging e passou mais dois meses furando a velha e fazendo ela entrar pro Guinnes Book sem saber.
Numa manhã ele dormiu até mais tarde e quando acordou viu que era dia da cesta básica.
Levantou na boa foi ao banheiro e depois tomou café muito tranquilo, sua mãe veio da lavanderia e falou prá ele:
-Zizinho, hoje...
- Já sei mãe: é dia de levar a cesta básica prá tia...
- Não filho, hoje não precisa, seu pai tá de folga e já foi lá levar de carro!

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

NUNCA DIGA EU TE AMO.

Ele havia mudado a alguns meses para o bairro mas nunca havia notado aquela pequena padaria com fachada de madeira escura que fazia pães especiais e pouco convencionais. Entrou timidamente pela primeira vez e foi atendido de forma desinteressada por uma mulher jovem que não ligou muito prá ele. A variedade de pães não era grande mas nada era igual aos produtos dos concorrentes, o padeiro era o próprio dono do estabelecimento e ele havia feito alguns cursos de especialização fora do país, a atendente era sua mulher que trabalhava em dupla jornada ali e em casa e por isso não tinha energia para ser simpática, mas não era alguém desagradável. Inevitavelmente, no entanto, ela aprendeu sobre os gostos do novo cliente e ele passou a receber um atendimento digamos: falicitador. Passou também a receber sugestões de consumo conforme o padeiro/dono/marido ia incrementando a variedade.
Um ocasião o padeiro saiu prá fazer mais um curso e do nada, vendo-se livre dele, a esposa desabafou com o cliente, que não era feliz. Ele ouviu, opinou e ela passou a gostar de conversar com ele. Os assuntos passaram a ser os mais variados e um dia ele disse a ela, já tendo na mira o marido amassando o pão lá no fundo que a amava. Ela corou e gostou de saber que alguém se interessava por ela, mas não deixou passar disso. Ele era desimpedido e isso era tentação demais. Mas o tempo, alias muito tempo foi passando, e a situação em nada se alterou. Os sentimentos pareciam que as vezes esfriavam e algumas vezes enlouqueciam. Mas o platonismo imperava firme e alem de pães, trocos, olhares e desejos proibidos nada existia.
Mas em algumas ocasiões ocorreram possibilidades de em encontros casuais conversarem abertamente sobre sentimentos e possibilidades e ele, sempre se atirando muito mais na aventura, desejava que ela largasse tudo e fosse com ele descobrir o mundo. Mas ela tinha um senso de responsabilidade muito profundo e preservava não só os sentimentos dela como os de todos que a ela estavam ligados e de uma forma amiga, suave e triste dizia que nada era possível.
Ele enlouquecia a cada nova investida, mas um dia conversando com um estranho foi aconselhado a entender o que acontecia de verdade. Dizia o estranho que ele não gostava daquela mulher, mas que gostava da aventura da conquista daquela mulher, dos riscos, do ufanismo de corteja-la diante do ocupado marido sem que o ingênuo desse conta. Mas também que ele não era o dono daquela situação que era antes de tudo um escravo daquilo tudo. Ele passou então a refletir sobre qual era precisamente o sentimento que o envolvia e concluiu que gostava mesmo era da conquista. E que aquilo estava se tornando cada vez mais prazeroso na medida em que ia ficando cada vez mais difícil. Seus dias eram de treva e luz, mas ele não identificava naquilo paixão, era antes, gosto por algum desafio. Mas isso fazia com que ele jogasse sobre ela um monte de atenções e ela se derretia por isso.
Um dia, noutro encontro casual, ele declarou sua paixão por ela.
Ela não estava num bom momento e sentiu a força daquilo.
Confusa buscou as palavras certas.
E as únicas que lhe vieram a mente foram as mais sinceras e verdadeiras que tinha, e disse:
- Eu te amo!
Ele sorriu, viu que havia conseguido, deu-lhe as costas e nunca mais ela o viu.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

OBRIGADO DOUTOR

Meu sonho sempre foi ser médico.
Embora na vida real tenha horror a médicos.
Consegui um avental de encarregado de setor de manutenção de veículos da marca Mitisubishi, bem limpo, e fui invadindo um enorme hospital publico.
Já na porta o segurança de terno preto me olhou e fez sinal para eu parar. Eu fui furioso na direção dele e disse:
-Como você tem a incompetência de estar trabalhando sem luvas descartáveis e mascara? Eu não te suspendo porque estamos com problemas na escala...
E fui entrando com cara de quem não estava gostando. Mas tinha ainda o problema da logomarca da Mitisubishi prá encobrir. Vi um médico também de roupa cinza hiper folgada vagando displicente cutucando o nariz pelo corredor e garfei o cara:
- Seu porco, dá aqui este crachá... vai prá casa agora, amanhã falamos!
Coloquei o crachá. Segui pelo corredor cheio de macas, uma vergonha.
Do bolso de meu avental retirei um pincel atomico vermelho e na testa de um velho que dormia numa maca escrevi OBITO.
Chamei um segurança com cara de sono e uniforme de vigilante de banco e falei:
-Leve agora para o necrotério.
Duas macas adiante outro paciente dormia profundamente. Despertei-o com tapinhas na cara e quando ele começou a acordar eu disse:
- Graças a Deus consegui ressuscitar você... você tem muita sorte, ficou mais de 1 hora morto!
Ele soltou lágrimas e disse:
-Obrigado Doutor!
Na testa deste escrevi OK, LIBERADO.
Avancei por outro corredor e vi que tinha jeito prá coisa, estava começando a gostar.
Vinha em minha direção uma enfermeira com cara de sonsa empurrando desmaseladamente um paciente numa cadeira de rodas. Parei-a.
- Onde você pensa que vai?
Ela tentou responder...
-Você sabia que eu posso acusa-la de tentativa de sequestro?
Ela começou a chorar compulsivamente.
Escrevi na testa do paciente: ACORRENTAR.
- Leve este paciente para o setor de manutenção e mande soldar correntes na cadeira de rodas para que nunca mais ninguém tente sequestra-lo! E prenda as correntes em algo pesado.
O paciente suava muito e a tinta começou a escorrer pelo nariz.
- Rápido... não vê que ele esta com hemorragia... vai, vai, vai...
E o paciente dizia ao longe:
- Obrigado doutor.
Na porta onde estava uma plaqueta que dizia algo sobre cardiologia não sei que lá, não lembro, risquei e escrevi: TRANSFERIDO PARA O 18º ANDAR. sala 1817
Sentei numa cadeira entre pessoas que estavam esperando e quando uma funcionária de uniforme azul chegou e perguntou para onde havia sido mudado a sala de exames todos responderam:
- 18º andar.
Ela saiu confusa falando baixinho:
- Mas este prédio só tem 4 andares.
Minha atuação já devia estar fazendo sucesso pois notei que havia algum movimento mais nervoso pelos corredores.
Entrei num elevador muito grande, nunca tinha entrado num tão grande assim.
Havia um sujeito mórbido levando um cadáver.
Olhei prá ele e dei um pequeno sorriso.
Ele permaneceu carrancudo.
Falei:
- Já tomou café?
-Ainda não.
-Chato ?
- O quê?
- Até essa hora sem café...
- E dai?
- Dai que você se quiser pode ir tomar café que eu cuido do presunto.
- Tá bom.
Ele saiu do elevador e eu desci com o elevador até o andar do estacionamento.
Andei uns 30 metros entre os carros e havia um carro lindo, preto, importado com bagageiro.
Tentei colocar o presunto no bagageiro mas o presunto era muito pesado.
Vi então um pick-up com lona de proteção na caçamba e achei que estava mais de acordo com os procedimentos médicos hospitalares. Meti o presunto na caçamba e fechei a lona.
De volta ao prédio, subi até a UTI, tava animado o negócio lá, todo mundo respirando por aparelhinho, bip prá lá, pipipi prá cá.
Fiquei uma meia hora acertando os botoezinhos, igualei todo mundo. Fiz lindos desenhos nas testas de todos. Nuns fiz corações, noutros estrelinhas, não desconsiderei ninguém.
Uma senhora bem fortinha me chamou com um sinal.
Cheguei bem perto, ela me perguntou:
-Como eu estou DR.?
Eu rsepondi em tom tranquilizador.
- A senhora esta deitada.
Resolvi que estava com fome e fui jantar no refeitório.
Entrei e o lugar estava mais animado que a UTI.
O assunto era a tentativa de sequestro do paciente agora acorrentado por ordem médica.
Fiquei sinceramente feliz de saber que meus procedimentos haviam surtido resultado.
Nisso vi uma sombra, mas podia ser um rato, não tive duvida, gritei:
- Um rato, ali, ali, ali....
Maior correria, desmaios, um tropeu danado até segurança apareceu no lugar.
Nada comi e voltei ao trabalho.
Encontrei mais pacientes e fiz anotações nas testas, tipo:
NECROTÉRIO
ESTREMA UNÇÃO
LIBERADO
JÁ ERA
AI MEU DEUS
SÓ UM MILAGRE
FINGIDO
NÃO DOÍ TANTO ASSIM
TRIPLICAR A DOSE
PODE TIRAR O GESSO
ESBANJANDO SAÚDE
LAVAGEM INTESTINAL
DEPILAÇÃO RADICAL
MUDANÇA DE SEXO
FORA DAQUI
IMPOSTOR
Depois de muito trabalho resolvi descansar, fui tirar um soninho dentro do tomografo.
Acordei na cadeia.
Pô, ninguém valoriza a profissão de médico.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

EU SOU A LENDA.

Américo trabalhava num emprego ordinário, ganhava mal e tinha uma mulher de quem não gostava mais.


Aos domingos levantava cedo e passava o dia sem fazer nada de útil.


Sua vida era besta e ele mesmo achava que não fazia sentido viver se fosse prá fazer todos as semanas a mesma coisa.


A comunicação dele com a mulher era meio que telepática, ela pegava a vassoura pra varrer o chão e ele saia do caminho, ela colocava o almoço na mesa e ele sentava e almoçava em silêncio, ela recolhia a toalhas do varal e ele tomava o banho do dia, ela ligava a televisão e ele sentava na frente e dormia, ela desligava ele levantava e ia pro quarto dormir, tava encerrado o domingo.


Mas num domingo de Setembro, ela resolveu limpar a casa prá incomoda-lo um pouco mais. Ele fugiu prá onde pode, mas onde ele ia ela ia atrás pra atormenta-lo com algum incomodo da faxina.


Por fim ele resolveu sai para a rua e foi descendo até chegar na avenida. Encostou-se por lá, pois nem dinheiro prá entrar num bar e beber algo ele tinha.


Depois de um longo tempo ele viu algo inacreditável.


Uma loira de jeans rasgado caminhando pela calçada.


Ela não imaginava que pudesse existir uma mulher como aquela, pensou em sua mulher, comparou com a loira, e viu que não havia comparação. Mas como chegar perto de uma mulher daquelas, como falar com uma mulher daquelas, que assunto? que tipo de homem seria capaz de levar uma mulher daquelas para a cama e ser amado por ela?

Ela passou vagarosa e rebolante, o corpo todo se movia como uma cobra sobre as areias quentes do Fezzan. O movimento era tão sensual que ele sentiu que algo de anormal crescia dentro dele, depois fora dele também. Nunca imaginou que uma mulher dessas fosse real.

Segui-a meio de longe prá poder olhar um pouco mais para a bunda dela. Mas ela mesmo lenta estava ganhando distancia e ele já começava a escorregar em sua baba. Ele apertou o passo e possuído por algo estranho segui-a com o firme propósito de conquista-la.

Conquista-la? Olhe-se no espelho: bermudão feito de um velho moleton, camiseta da Kaiser, chinelo havaina roto, cabelo ralo e ainda assim um ninho de coruja, óculos de velho... um bagaço.

Ela andou e entrou numa loja.

Ele ficou na porta esperando.

Quando ela saiu, ele continuou a perseguição.

Ele continuou no mesmo ritmo e em seguida entrou em outra loja, já mais perto do centro do bairro e com segurança na porta. Ele ficou esperando na porta e o segurança de olho nele.

Quando ela saiu o segurança falou ao ouvido dela que o cara a estava seguindo.

Ela foi direta e certeira em direção a ele e disse:

- Querido, você quer alguma coisa?

Depois de meia hora ele respondeu:

-Eu?

-Sim, você esta bem, precisa de alguma coisa?

Mais 45 minutos e ele respondeu:

- Eu?

Quando se deu conta estava dentro de uma ambulância, que a loira havia chamado pelo celular.

Ela ainda ajudou a coloca-lo no veículo e disse a ele:

-Estes moços vão ajuda-lo, ok? Depois eu vou te ver prá saber se ficou tudo bem... tá?

Ele olhou prá ela, a porta fechou e ele disse:

-Tá!

O ajudante da ambulância, uma rapazão de uns 120 kilos, falou:

- O tio, o sinhor tem nome é?

- Américo.

- E onde você quer que a gente deixe você velhote?

- Onde?

Bom o motorista tinha que passar na casa de um colega prá pegar uma marmita e resolveu deixar a encomenda numa rua longa e deserta, ladeada por uma linha de trem de um lado e um muro enorme do outro.

Américo andou ao longo do muro meio zonzo e depois de muito andar encostou num portão de madeira enorme, escuro, cheio de cravos dourados.

Depois de algum tempo ali o portão se abriu e um homem de vestimenta marrom disse:

- Entra.

Américo entrou de cata cavaco e o marronzão falou:

- Você tem problema na coluna?

- Tenho. ( mas não tinha )

- Por esta noite você vai dormir no quartinho que tem no final deste corredor, amanhã eu te acordo cedo, você toma um banho, ouve a missa e vamos, tá?

- Sim senhor.

Duas semanas depois ele estava interno num mosteiro no interior da Bahia trabalhando na horta e cortando lenha de manhã a noite.

Ficou nessa vida por 14 anos sem que nunca ninguém lhe perguntasse nada sobre sua via e seu passado.

Uma tarde ele se sentiu barrigudo, velho e cansado e sentiu saudades de casa.

Abriu o portão lateral que dava prá criação de cabras e sem levar nem um palito de fósforos saiu andando e quase morreu de frio no curso da madrugada. Foi ganhando comida aqui e pousada ali e quando se deu conta estava nas portas de outro mosteiro, este budista, onde pela primeira vez pediu alguma coisa. Pediu prá ficar. Deixaram por mais 13 anos.

Um dia ele acordou e pediram prá ele ir embora sem nenhuma razão.

Nesses 27 anos ele havia adquirido um estado mental alterado, tornara-se um bobão.

Quase não falava, não tinha assunto, não lembrava direito de onde era.

Mas voltou prá sua cidade enviado pelo monges budistas.

Quando desceu na rodoviária, sem nada além das roupas do corpo, vagou pelas ruas e albergues como um morador de rua, até que um dia passou pela avenida onde havia sido recolhido pela ambulância. Com um pouco de esforço achou a rua onde morava, mas não conseguiu achar mais sua casa. Tudo havia mudado.
Sentou-se então numa mureta de uma jardineira em frente a um prédio residencial e lá ficou sem conseguir sequer pensar no que faria.
Do outro lado da rua um homem o olhava de forma insistente, chamou outra pessoa e apontou-o, outros vieram e ficaram olhando prá ele e trocando comentários. Américo sentiu que era com ele, imaginou que levaria uma surra, mas ficou paralisado quando percebeu que o grupo, uns 7 ou 8 homens, atravessou a rua.
- O senhor não é o Seu Américo?
Ele pensou: se confirmar apanho. Ficou olhando aqueles homens todos com cara de piedade e terror. Com muito sacrifício conseguiu engolir um gole de saliva.
- Eu não... ( me lembro. Ele ia dizer ).
- Seu Américo o senhor não lembra da gente?
- Não... eu...
- Seu Américo a Lenda Viva voltou...
E passaram a abraça-lo e a cumprimenta-lo.
- Conta ai Seu Américo, onde anda aquela loira? Sua mulher morreu de desgosto de saber que o senhor fugiu com ela prá Miami... seu malandrão...
- Ela falava prá todo mundo que o senhor escondia dinheiro em algum lugar, mas nunca ninguém imaginou que o senhor tinha conseguido mandar tanto dinheiro pros States...
- Qual a lábia o senhor usou prá conquistar aquela mulherona??? fala ai Seu Américo...
-É... é... eu não...
- Seu Américo o senhor é fogo eih? Todo esse tempo com aquele mulherão vivendo do bem bom, foi muito bem feito prá sua patroa que era uma linguaruda e pago, pagou bem pago...
- Mas Seu Américo, cadê a loirona? O Sr. tá meio detonado? Ela limpou o senhor, não foi?
-Deixa prá, a Lenda voltou. Voltou e agora vai ensinar prá gente os truques e manhas dele...
- É, é...


Durante 27 anos aquele povo acreditou que Américo vivia nos Estados Unidos com aquela loira deslumbrante que não envelhecia e fazia todas as vontades dele.
Aquele povo acreditava na Lenda e nunca deixaram que ela fosse esquecida, porque a Lenda dava uma esperança prá cada um dos fracassados que nela falava.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

BEIJO

Joaquim nunca havia beijado.
Disseram-lhe que o primeiro beijo deveria ser roubado.
Ele era inrustido, mas sempre fora meio tarado.
Resolveu que já era hora de ser desvirginado.
Procurou ajuda e colheu uma opinião do cara errado.
-Olha cara, cê é idiota, tá muito atrasado.
Na tua idade eu já tinha até trepado.
Joaquim num desconsolo ficou desnorteado.
Sabia que com ele havia algo desacertado.
Sentou-se então num bar e colocou-se a pensar com o amigo do lado.
Tinha que fazer um plano, mas algo muito bem bolado.
De repente: Click, como não havia pensado.
Iria faser algo inédito, algo que nunca ninguém havia tentado.
Iria beijar uma noiva, na hora do casamento, seria no próximo sábado.
Foi até a igreja prá saber o que havia programado.
Como não era a hora certa, horário não muito apropriado.
Encontrou o portal fechado.
Vou de qualquer maneira, decidido e confirmado.
Sábado chegou, ele com medo, mas completamente determinado.
Perdeu o primeiro casamento pois tomou o onibus errado.
Teve que voltar a pé pois não lhe restou nenhum trocado.
Enfim chegou à Igreja, entrou, mesmo sem ter sido convidado.
Vestido de terno preto, impecavelmente arrumado.
Deixou passar a primeira noiva porque o noivo era muito sarado.
Pulou também a segunda, porque era mocreia demais e ele não estava assim tão desesperado.
Enfim chegou a terceira, e ele achou que o assunto seria consumado.
Chegou-se bem perto do altar, meio sem ser notado.
Assistiu a toda a cerimonia e até ficou emocionado.
Quando o padre disse: -Pode beijar a noiva, ele entendeu o recado.
Saltou por cima do povo, feito um leopardo acuado
Beijo a primeira boca possível, mas era o alvo errado.
Beijou a segunda boca que era a do Padre Zé Eduardo.
Beijo a terceira boca de um coroinha meio viado.
Já quase sem beijos ouviu: - Peguem o tarado.
Era inevitável, estava enrascado.
Para não ficar no preju, beijou uma madrinha esquisita que tinha um sorriso amarelado.
Por fim dando-se por satisfeito saiu abrindo caminho forçado.
Não era o beijo que sonhara, mas estava consumado.
O beijo havia sido dado.
Considerações finais:
1) Joaquim é um idiota.
2) Não é sair beijando assim o que importa.
3) Como fui ter uma ideia assim tão meia nota.

domingo, 6 de setembro de 2009

O BLOG VAI AO TEATRO

Primeiro toque da campainha: - Pééééééé
Segundo toque da campainha: - Pééééééééééééééééé
As luzes vão se apagando.
A cortina abre-se bem devagar aos tranquinhos e com um barulhinho de coisa que vai enguiçar.
Luzes vão crescendo no palco.
Tosse no meio público ( coisa mais chata ).
Cadeira range ( coisa mais chata ainda ).

ABERTURA
Entra em cena Procópio.
Procópio - Ai desventura de minha vida, por onde andara minha eterna amada depois de tantas tragédias e fortes emossões? Eih? Eih? Eih?
PONTO - Emoções cretino.
Entra Cordélia
Cordélia - Oh Procópio não posso te ver triste assim...
Procópio - É que sinto uma dor profunda, começa no coração e termina na...
Cordélia - Bunda?
Procópio - ...no fundo de minha alma sensível e só.
PRIMEIRO ATO
Procópio esta sozinho em cena.
PUBLICO - Onde foi parar Cordélia? Não notei quando foi que ela saiu de cena.
Procópio - Onde foi parar Cordélia? Não notei quando foi que ela saiu da sala...
PONTO - Isso não esta no texto cretino ignorante.
Entra Cornélia
Cornélia - Procópio preciso te revelar um segredo.
PUBLICO - Ohhhhhhhhhhhhhhhhhh!!
Range uma cadeira.
Procópio - Oh querida mãe meu coração não suporta mais nada.
Cornélia - Eu sei meu filho, mas eu preciso te dizer que não sou... não sou...
Procópio - Não é? Não é o quê????
PUBLICO - Silêncio absoluto, alguém tosse ( coisa mais chata ).
Cornélia - Procópio eu não sou sua mãe.
PUBLICO - Ohhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!
Procópio - Ohhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!
PONTO - Você falou um h a mais.
Cornélia - Ohhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh meu ex filho.....
Procópio - Então quem é você???????
PUBLICO - Prestanto uma puta atenção, cadeira range.
Cornélia - Eu sou na verdade sua irmã mais velha.
PUBLICO - Ohhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!
Procópio - Não, não e não.... então quem é minha mãe?
Cornélia - Sua mãe Procópio é a minha mãe.
PUBLICO - Ohhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!
Procópio - Oh!
Fim do primeiro Ato.
SEGUNDO ATO
Procópio esta sozinho em cena.
PUBLICO - Onde foi parar Cornélia, não notei quando ela saiu de cena.
Procópio - Onde foi parar Cornélia, não notei quando ela saiu da sala.
PONTO - Animal.
Entra Camélia.
Procópio - Camélia, viste Cordélia ou Cornélia nos bastidores, a mulherada tá evaporando no ar.
PUBLICO - Tosse.
Camélia - Tenho algo mais importante para te dizer, um segredo a te revelar.
PUBLICO - Sacanagem com o coitado do Procópio, tudo num dia só.
Procópio - Não sei se minha alma conseguira suportar... mas manda a trolha.
Camélia - Mas antes você terá que me jurar que vai guardar segredo.
Procópio - Juro!
Camélia - Jura mesmo?
Procópio - Juro.
Camélia - Mas tem certeza que jura mesmo?
Procópio - Juro
Camélia- Mas jura de verdade mesmo?
Procópio - Vai si fuder Camélia... conta logo essa porra.
PUBLICO - Aplauso - Clap, Clap, Clap...... Clap.
Procópio agradece aos aplausos.
Camélia - É que eu preciso lhe dizer Procópio que a Cornélia não é na verdade a mãe Cornélia, ela foi trocada na maternidade e sua mãe verdadeira é na verdade sua prima que teve um bebe no mesmo dia mas que morreu. Então num pacto sinistro com a enfermeira padrão houve uma troca e ela nunca soube disso e não poderá saber jamais.
PUBLICO e Procópio juntos - Ohhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!
Fim do Segundo Ato
TERCEIRO ATO
Procópio esta sozinho em cena pensativo e cabisbaixo.
PUBLICO - Onde foi parar a Camélia?
Procópio - Sr Diretor, mande fechar o alsapão porque já cairam 3 atrizes dentro dele, uma esta gemendo...
PUBLICO - Vaia - Uhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!!!
Um peido na plateia - Risos - Não fui eu!
Procópio - Meu pai santissimo de onde serei eu oriundo?
PUBLICO - Um grito lá do fundo, " de um cú seu vagabundo"
Entra Cremilda.
Procópio - Cremilda minha querida cuidado com o alsapão....
Cremilda - Oh Procópio que dor trago em meu peito...
Procópio - Não vá me dizer que você também tem um segredo prá me revelar.
Cremilda - Sim, eu tenho...
PUBLICO - Pô que abacaxi de peça, quero meu dinheiro de volta.
DIRETOR - Assistente fecha aquela merda de alsapão.
Cadeira range.
Tosse.
Uma lampada se queima.
Procópio - Então manda de bico Crêcré...
Cremilda - É o seguinte meu nêgo... tu tá variano e tua prima que subordinou a enfelmeira pra fazer um estrocamento no berçario na verdade não é sua prima mas sim sua avó, sua mãe verdadeira é seu primo Avilésio que na verdade fez uma ciderurgia de troca de secxo, e deixo de ser Avelina prá ser tornar Avilésio, mas ele antes teve um filho com sua irmã que era homem naquela época e também fez mudança de secxo, inclusive o pirulito dele ou dela passou prá ele ou ela eu sei lá....
PUBLICO - Ohhhhhhhhhhhhhhhhhh!
Procópio - Ah, era só isso?
Cremilda - Que bom que você recebeu bem esta noticia.
Procópio - Nesta altura do campeonato tudo o que vier é lucro.
PUBLICO - Um puta aplauso.

INTERVALO
Marteladas do assistente consertando o alsapão.

QUARTO ATO
Cremilda em cena.
Cremilda - Por onde eu saiu?
DIRETOR - Vem anta vem...
Cremilda some, despenca o alsapão.
PUBLICO - Gargalhadas - rsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrs
Tosse
Peido de propósito.
Procópio - Oh, que desventura de vida, por quais caminhos devo trilhar para alcançar as verdades profundas da vida? Como poderei amanhecer ao sabor de tantas amarguras, se minha alma sofre o anoitecer de minhas esperanças, inutil lutar contra as poderosas forças do destino, nessas trevas que se tornaram meus afetivos e familiares, quanto aguentarei eu sofrer ainda nesta infrutifera existencia, sou o pateta desta trama, a vitima ingênua a quem todos parecem querer zombar.
PUBLICO - Em lágrimas - Snif, snif, snif.... snif.
Entra Creverson.
Creverson - Procópio, tenho algo importante a te revelar.
Procópio - Creverson vai a puta que te pariu cara... se você veio aqui prá dizer que não sei quem não é quem se diz ser que deveria não ser quem se diz não ser quem é....
PONTO - Vai si fuder assim não dá....
Creverson - Porra cara como você esta essitressado.... relaxa meu garoto....
Procópio - Vomita bundão.
Creverson - É o seguinte meu neto, eu sou seu avô e não seu cunhado.
PUBLICO - Oh coisa chata sô!
Procópio - E o quê que eu tenho a ver com isso?
Creverson - Sei lá, achei que você ia achar legal ficar sabendo que seu pai não é meu filho mas sim filho da prima de sua cunhada com o concunhado da sogra da mãe da primo da madrasta de sua tia Alzira.
PUBLICO - OHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH Caralho que trama bem elaborada!
Fim do quarto Ato
Ranger de cadeiras, tosse e um espirro.
Saúde, Deus te crie.
Obrigado.
ULTIMO ATO.
Creverson também cai pelo alsapão, Procópio esta só novamente em cena e metade do público já foi embora pro buteco ou prá pizzaria.
Procópio - Enfim publico que por tantos atos me aturou, esta é a triste história que os deuses escreveram para mim. Quis o destino que eu não soubesse de que ventre provim. Certo de te-los entretido maravilhosamente com meu drama apenas tenho a dizer que FIM.
Apagam-se as luzes.
Range a ultima cadeira.
Um cheiro de peido no ar.
PUBLICO - Aplaude de pé entre lágrimas.
Encrenca a cortina.
A ambulância recolhe os atores.
Procópio agradece os aplausos.
Sai o ultimo espectador.
A faxineira varre o chão.
O zelador apaga as luzes e tranca a porta.
Um loira fica presa no banheiro.


PARA VOCÊ ENTENDER COMPLETAMENTE.
1) Ator/Atriz = aquele que representa em cima do palco.
2) Diretor = aquele que tendo um texto teatral nas mãos diz aos atores e tecnicos como devem atuar na peça
3) Ponto = um cara que fica num alsapão em frente ao palco lembranbdo as falas aos atores.
4) Teatro = Sala grande com palco, cadeiras, coxias, urdimentos, rotundas e gambiaras onde são encenadas peças teatrais.
5) Peido = Um tipo de gás predominantemente metâno que é expelido pelos intestinos dos animais ( humanos normais expelem em média 3 xicaras de chá por dia com odores variados ).
6) Publico = Pessoas que vão ao teatro ver uma peça teatral.
7) Loira = Um tipo de criatura com grande capacidade para se envolver em confusões.
8) Alsapão = na verdade se escreve alçapão e é uma abertura existente no chão do palco para fazer surgir e sumir objetos e pessoas, muito usado pelos mágicos em seus números.
9) Lampada que queima = Na verdade uma lampada que se queima consome o lucro de uma noite de apresentação.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

MAS MÃE...

PROLOGO
Mãe era uma pessoa trabalhadora e organizada. Cuidava com absoluto rigor de toda a família, estando ela perto ou longe. Não descansava nunca, não relaxava estava sempre atenta.
CAPITULO I
Tia Ana morava distante e tinha a saúde frágil.
Mãe ia sempre visita-la. Adorava fazer aquela viagem e poder passar por aquela estrada.
Por muitos anos desejou parar um dia e ficar apreciando a paisagem, e num dia resolveu que faria com a família um pic-nic num bosque no ponto mais bonito do percurso.
CAPITULO II
Mãe ficou doente e todos da família cuidaram dela, mas sempre debaixo de severas recomendações dela própria. Mãe disse um dia, quando já estava ficando boa:
- Assim que me curar iremos fazer um pic-nic num lugar surpresa.
Todos ficaram felizes.
CAPITULO III
Mãe marcou o dia, preparou as comidas, arrumou os filhos e pai arranjou um carro emprestado com o cunhado.
Domingo fez um sol explendido, pegaram a estrada e foram em direção ao bosque tão cobiçado pela mãe.
CAPITULO IIII
Mãe escolheu o local para pararem, a escolha era perfeita, um imenso bosqueado debaixo de castanheiras com uma vista linda do vale e bem pertinho da estrada. Havia até uma biquinha de água. Estenderam a toalha bem arrumadinha depois de limparem rigorosamente o local, era a primeira vez que as crianças ia comer no chão. Duas enormes cestas continham o verdadeiro banquete preparado pela mãe.
CAPITULO IIIII
Johnny liga o caminhão depois de carrega-lo durante toda a madrugada.
Johnny precisava trabalhar ligeiro e precisava fazer tudo certo, a grana do dia de trabalho vinha em boa hora.
A carga de Johnny tinha hora certa prá chegar, eram 25 toneladas de orelhas de frango para serem entregues na fabrica de salsicha... hummmmm, que delícia!!!!!
CAPITULO IIIIII
Mãe passa amendocrem na bolachinha das crianças:
- Comam tudinho... não derrubem migalhas na toalha... não lambuzem os dedinhos... não sugem as roupinhas!
Mãe passa geleinha de amorinha na bolachinha das crianças:
- Comam tudinho... não melequem os dedinhos... não deixem sementinhas entre os dentinhos!
Mãe faz lanchinho de presuntinho com queijinho:
- Comam tudo gostozinho... é nutritivo e saborozinho... não limpem os dedinhos na roupa, dobrem certinho os guardanapos depois de limparem as boquinhas... esta gostozinho?????
Mãe coloca tanguezinho de mangaba com pêra nos copinhos:
- Tomem bem devagarinho... sentem-se bem retinhos... não deixem tombar os copinhos!
Mãe corta em tirinhas a tortinha, prá cada um um pedacinho:
- Comam esta muito gostozinho... mastiguem bem direitinho. Não esta um dia lindinho.
CAPITULO IIIIIII
Johnny senta a ripa no caminhão e não liga lá muito prá descida da serra, cozinha os tambores de freios, trinca as campanas, racha as cuicas, derrete as lonas... ai,ai,ai ai.... vai dar merda...
Já vi muita gente se lascar por não saber poupar os freios.
CAPITULO IIIIIIII
Mãe prepara a sobremesa, depois da sobremesa as crianças poderão brincar de escola sentadinhas debaixo da árvore bem comportadinhas.
- Vamos todos criancinhas juntar toda esta bagunça... vamos dobrar os guardanapos... fechar os potinhos, recolher os copinhos...
Ouve-se uma buzinha....
CAPITULO IIIIIIIII
Fudeu.
O caminhão de Johnny esta sem freio, ele esta em disparada, não vai conseguir fazer a curva.
Terá que tirar o caminhão da estrada, quem sabe parar em uma formação topográfica favorável.
- Ah já sei, vou entrar pelo bosque, lá eu faço uma manobra radical e reduzo a velocidade...
Mais buzina... mais buzina...
Mas Johnny avista em seu percurso, extamante no alinhamento unico e mais favorável à sua manobra uma dócil familia fazendo um pic-nic...
- Caralho... e agora. Não posso perder esta carga... pensa Johnny já não conseguindo pensar em mais nada.
CAPITULO IIIIIIIIII
Filhinho vê o caminhão vindo a toda.
Filhinho é bom em geometria e calcula imediatamente a trajetória a conclue que: Fudeu mesmo.
- Mãããããããeeeeeee.... o caminhão, o caminhão.
O caminhão esta muito próximo agora.
Papai esbugalha os olhos.
Mãe olha e diz:
- Crianças o caminhão vai nos matar, rápido fechem as tuperwares, juntem os guardanapos, precisamos sair daqui muito rápido.
O caminhão esta muito mais próximo agora.
- Crianças vamos juntem os copinhos, assim não, vocês ainda não beberam tudo, tem que beber tudinho senão mamães fica triste e o anjinho chora, tomem bem devagarinho mas façam rapidinho.
O caminhão esta muito, mas muito mais próximo agora.
CAPITULO IIIIIIIIIII
Mãe vê que a coisa esta ficando muito preocupante.
- Rapido crianças, recolham todas as migalhas da toalha, é uma emergencia, pode ser com a mão mesmo não precisa usar a escovinha, mas não limpem as mãozinhas nas roupas... juntem todas as migalhas num só montinho que papai vai colocar numa sacolinha biodegradável... não tirem a toalha do lugar!
Johnny sente o cheiro da morte, mais que isso, de um extermínio completo de uma doce família.
CAPITULO IIIIIIIIIIII
Mãe pressente que não terão tempo de fugir, mãe vê que o caminhão passara exatamente sobre aquele ponto onde todos estão, mãe percebe que é só uma questão de uma fração de segundos, mãe tem que tomar uma atitude energica e tem que ser agora, não pode titubiar:
- Crianças, vocês não terminaram de comer a tortinha isso é muito feio. Mamãe esta triste muito triste. Ai, ai, ai, ai, ai.
A distancia em que o caminhão se encontra já pode ser medido em poucos metros e a velocidade vai aumentando sob a força gravitacional de 25 toneladas de carga mais o peso do enorme caminhão. Freio que é bom: zero.
Johnny reza e sua, Johnny reza sua reza.
CAPITULO IIIIIIIIIIIIIIIIIIII
Mãe sabe que fudeu de vez.
Mas mãe tem a mente limpa, não pode reconhecer que fudeu, mas que fudeu, fudeu.
Mas seu instinto fala mais alto, ela foi treinada uma vida toda para cumprir uma missão:
- Crianças temos que fugir senão morreremos todos e a vocês não será reservado futuro algum. Tudo se perdera, toda a edução que lhes dei.
Quero ver vocês levantarem todos juntos, bem bonitinhos, e correrem todos para debaixo daquela árvore ali, mas antes coloquem tudo em ordem dentro das duas cestas, sacudam a toalha, dobrem-na bem direitinho, não quero ver nenhum fiapinho de capim nela, fechem o ziper das sacolas com muito cuidado para não estraga-lo e deem as sacolas uma de cada vez nas mãos do papai... arrumem suas roupinhas e alinhem seus cabelinhos, não quero ver vocês desarrumados.
Johnny não entende porque Deus tem um propósito tão cruel para ele, num domingo tão lindo ele trampando na boa, essa porra de caminhão perde o freio e amanhã ele estampa a primeira pagina de jornal por ter exterminado uma doce família... que saco pô!
CAPITULO IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII
Não há mais tempo pra nada, a distancia entre o caminhão e a família é de poucos centimetros.
A familia sente o calor do motor do caminhão, sentem o cheiro da lona queimada, o cheiro da morte, a luz, aquela porra de luz a ser seguida... viram Ghost????
Johnny não entende o propósito.
Mãe ainda tem tempo de dizer:
- Crianças vocês não fecharam o ziper da sacola nº 1 direit.....
EPILOGO
Silêncio agora.
O mais profundo silêncio.
Apenas aquele barulho do ar comprimido do caminhão, algo assim como Fânhimmmmmm...
Mãe semi-inconciente ve filhinho deitado no chão e diz:
- Filhinho muito feio... ainda tem um restinho de geleia escorrendo da boca... mamãe falou prá limpar direito.

Considerações finais entre lágrimas:
1) O autor detesta humor negro, mas assistiu "Todo mundo em pânico I,II,II e IIII".
2) Johnny salvou a carga e recebeu o frete combinado, apenas atrasou um pouco a entrega.
3) Papai conseguiu se salvar, pois deu no pé assim que escrevi o primeiro fudeu.
4) A família era muito numerosa e se esparamou no chão, o caminhão de Johnny não passou com a roda sobre nenhum deles. Foi um milagre.
5) Johnny não entendeu o propósito daquilo tudo, mas deu uma caixa de 15 kgs de orelha de frango para a família que também não entendeu prá que servia aquilo.
6) Naquela família nunca mais ninguém obedeceu mamãe nem fez mais pic-nic.

sábado, 29 de agosto de 2009

OLAVO TENTOU.

Magoado, com a alma muito ferida ele não via mais como prosseguir.
Andando errante na madrugada deu com uma porta entre aberta num edifício baixo, mas alto o suficiente.
Embriagado por um emaranhado de ideias foi entrando e subindo.
Esbarrava em pessoas mas não dava conta.
No último lance de escada viu uma porta bem a frente, colocou a mão na maçaneta, não de bola, tipo de alavanca que se abaixa e forçou. Abriu entrou, deu de cara com uma janela, atravessou o comodo e sentou no parapeito, lá em baixo entulhos incompreensíveis. Miserável fim, mas não faria diferença alguma ao lá chegar, tanto melhor.
Uma brisa da madruga fria e a necessidade de gritar um ultimo desabafo.
- Adeus mundo que nunca me compr....
- Cala a boca otário, cê tá atrapalhando.
Disse a garota toda nua deitada sobre uma cara também nu, enorme, aparentemente desfalecido. Como a garota, uma loira, lindíssima colocou-se de pé, Olavo não teve como não ficar pasmo olhando para ela. Nisso entra uma cara alto, muito alto, muito magro e com cara de estar cheio de más intenções.
- Pigalli, esse cara invadiu e tá causando.
Entra então uma senhora, que já fora bonita, mas estava em inicio de decadência.
Caminha serena e chega próxima aos ombros de Olavo. Ela fala mansamente e baixinho.
- O quê acontece meu filho. Você ia se jogar?
- Ia!
- Nossa que cousa. Conte para mim, por quê?
- Eu amo desesperadamente uma mulher que me ignora e não me ama, ...eu não suporto mais esse desprezo... não aguento a dor.... não consigo respirar, ... não consigo pensar...
E chora, chora como nunca havia chorado antes.
- E vocês quantas vezes fizeram amor? Você não conseguiu seduzi-la na cama?
- Não senhora, eu nunca toquei nela, nunca dei um beijo sequer nela...
- Pigalli, tire aquele da cama, leve-o... Sabrina, chame Lavinia e Nadia.
Pigalli mostrou ter uma força desproporcional ao transportar para fora o gigante semi-adormecido, e logo as três garotas estavam animadas e completamente nuas sobre a cama.
- Volto mais tarde... como é mesmo seu nome querido?
- Olavo senhora...
- Olavo. Volto mais tarde, fique calmo, fique em companhia delas.
E o que se seguiu foi intraduzivel na vida de Olavo, as garotas despiram-no e fizeram o diabo com ele. Depois de hora e meia, ele já acabado, entra no quarto novamente a tal senhora.
- Então Olavo... ?????
Ela chegou até junto da janela ainda aberta. Ela falava devagar e baixinho, de uma forma muito tocante.
- Venha até aqui querido...
Olavo com as pernas bambas, um pintinho murcho e balangante entre as pernas, com as costas toda arranha e cheia de mordidas, cheio de chupões pelo corpo, sofregamente chegou até ela.
- Vamos lá... você ainda sente vontade de saltar para a morte por uma mulher de quem nem um único beijo conseguiste ter?
- Não senhora...
- Então Olavo, as meninas te mostraram o que é a vida de verdade?
- Sim senhora... e como...
- Você ainda acha que vale a pena morrer por paixão?
- Com todo respeito, nem fudendo senhora...
- Então seu filho de uma puta, ( mudando completamente o tom, com uma agressividade nunca vista ) me volte aqui daqui uma semana com R$ 900 prá pagar a trepada que você acabou de dar, e nunca mais, seu corno de merda, volte aqui prá tentar se matar em pleno expediente de meu respeitável puteiro.

Considerações finais:
1) O cara que Pigalli levou prá fora do quarto, foi esquecido o resto da noite num banheiro gelado e passou 6 dias na UTI com pneumonia dupla.
2) Pigalli era natural de Campo Mourão e se chama Presnézio Pigalli Jr. e seu pai Presnézio Pigalli Neto, podia fazer anos de academia que não criava músculos mas ficava forte.
3) A moça por quem Olavo iria se matar casou-se aos 37 anos com um individuo biscateiro e mau carater e apanhava todas as manhas e todas as noites dele, só não apanhava na hora do almoço porque o individuo levava marmita para o trabalho.
4) Lavinia passou gonorréia para o Olavo.
5) Olavo não consegui pagar os R$ 900 no prazo e tomou um puta cacete de Pigalli.
6) No dia que Olavo veio liquidar a conta, Pigalli achou que ele não vinha com o dinheiro e deu outro cacete nele, só depois percebeu o mal entendido.
7) Pigalli ficou muito triste com o erro cometido.




sexta-feira, 14 de agosto de 2009

O MOÇO DO MAÇO DE SALSA



Tia Ana resolveu que precisava comprar um maço de salsa.
Papai falou para ela que tinha salsa fresca no canteiro da hortinha.
Tia Ana disse que aquela não era do tipo que precisava, e que ia comprar com o dinheiro que recebia de sua pensão.
Quando tia Ana voltou parou diante da porta da cozinha, que era na verdade era uma meia porta, a parte de baixo com 84 cms de altura, ficava fechada para o cachorro não entrar e a de cima ficava aberta para o ar entrar, ela tina uma caixote na cabeça cheia de maços de salsa.
- Por que tanta salsa tia Ana?
- Eu não comprei tudo isso...
Ao abrir a parte de baixo da porta para entrar vimos que estava acompanhada de uma rapaz de uma perna só e com uma estatura muito baixa que quando postado atras da porta, dele só se via o topete.
- Este moço vendia salsa na feira... me contou sua história de vida... me apaixonei pela história... me apaixonei por ele... não quero ouvir converse... trouxe- para comigo morar.
- Mas tia Ana, tudo assim tão rápido, não é melhor a senhora refletir por uns dias?
- Ele me contou que levantava cedo, 3 da manhã pra colher salsa... seu reumatismo agravo-se por isso... senti pena... depois admiração por seu esforço... já imaginou?... ele cego de um olho, andando de madrugada pelos canteiros escuros colhendo salsa no frio?... foi por isso que a catarata do olho bom avançou tanto...
O baixote foi entrando silencioso e de cara feia pra todos, sentia que não era bem vindo.
Sentou num banquinho que minha prima usava pra fazer o pé e ficou lá tossindo por causa da enfisema. Notamos que estava com conjuntivite.
Meu pai ponderou:
- Cunhada, onde este senhor vai se instalar?
- Em meu quarto, lógico... ou pensam que não sou mulher de assumir as coisas que digo... me apaixonei por ele... não tem volta... eu vou bancá-lo... comprarei para ele com meu dinheiro todos os remédios que ele usa pra diabetes e pra pressão alta... os da gastrite conseguirei no posto.
- Cunhada,- disse o papai – mas sua pensão mal dá pra comprar os seus remédios.
- Eu vou seguir com o negócio dele de plantar e vender salsa... ele me falou que é muito lucrativo... que estava se endireitando na vida com isso... já quase pagou todas as dividas que tem nos bancos, nas financeiras e com alguns agiotas...
-É, é, é, é, é, fer, fer, fer, ferdade....
Descobrimos com muita pena que ele era gago e levemente fanho.
Papai notou que não deveríamos contrariar tia Ana naquele momento, então disse:
- Vamos esperar até passar o ataque epilético do moço... daí nos reunimos e conversamos.
É, ele se emocionou demais com o assunto e começou a ter convulsões.
- Cunhada como é o nome deste senhor?
- Ele não lembra... esta com aminésia, foi atropelado por uma moto... perdeu um rim, foi tudo muito traumático...
- Esta bem cunhada...
Tia Ana levou-o para seu quarto e resolvemos não tocar mais no assunto naquela noite.
Mas ninguém consegui dormir naquela noite, em parte devido ao impacto da novidade e em parte pelos ruídos selvagens que vinham de dentro do quarto de tia Ana.
Na manhã seguinte acordamos com os berros de tia Ana.
Todos corremos para o corredor.
Tia Ana descabelada disse:
- Ele morreu.
Que infortúnio, pensamos todos.
- Tivemos nossa lua de mel, depois eu o esqueci dentro da banheira e ele morreu afogado... coitado... um rapaz tão disposto e bonzinho...

Informações complementares:
1) O rapaz na verdade se chamava Geraldo Magela de Almeida, era natural de Sergipe, tinha 42 anos, estava em seu 4º matrimonio formal, fora viúvo por 3 vezes e tinha 12 filhos, 3 de cada casamento.
2) O rapaz vendia em média 25 maços de salsa por dia a R$ 0,50 cada.
3) Ele havia perdido a perna numa aposta. Apostou com amigos que deitaria na linha do trem com uma das pernas sobre o trilho conseguiria fazer parar uma composição com 5 máquinas e 80 vagões carregados sensibilizando o maquinista chefe. Perdeu a aposta. O maquinista chefe disse que não viu ninguém deitado nos trilhos e pensou que aquele montinho fosse bosta de vaca.
4) O motoqueiro que o atropelou feriu-se gravemente e teve morte instantânea. A moto deu perda total. A seguradora não cobriu os danos porque a moto estava com a placa dobrada.
5) Tia Ana tinha 83 anos quando tudo isso aconteceu, e mesmo assim tomou a pílula do dia seguinte por precaução, pois uma das camisinhas paraguaias usadas estava com defeito de fabricação.
6) Tia Ana era solteira e assim ficou até sua morte aos 98 anos.
7) O delegado que presidiu o inquérito sobre a morte do rapaz arquivou o processo alegando que fora um acidente doméstico que não tinha como ser evitado e achou o currículo do moço bastante invejável.
8) Na mesma época estava passando na TV a novela Salsa & Merengue.

domingo, 2 de agosto de 2009

SICATARAM.

Ela chegou pontualmente mas no lugar errado porque alem de gostosa era burra.
Ele chegou atrasado porque só se metia em encrencas e não lembrava mais o nome da garota com quem ia se encontrar. Parou viu a garota lá esperando e foi logo perguntando:
-Você é a .......????
-Sou eu mesma.
-Pôxa você é bonita mesmo.
Ela achou a voz do cara diferente assim como a roupa não conferia com o que ele havia dito que usaria. Mas resolveu não se ligar a detalhes, estava muito a fim de ficar com alguém e não estava querendo embaçar.
Ele resolveu abreviar tudo:
-E ai... como fazemos? Ce tá afins de quê mesmo?
Ela não aguentou e perguntou:
- Sua vóz esta muito diferente, você esta resfriado?
- Não não ( Qualé a dessa garota? ).
- Bom sei lá eu com pouco tempo, queria chegar cedo em casa...
- Tá certo, vamos nessa.
E foram para um quartinho alugado de hotel e transaram feito dois loucos enquanto a garota que ele ia encontrar já estava quase chegando em casa depois de esperar por ele no lugar próximo por uma hora, já o garoto dela ainda estava plantado no lugar certo esperando por ela.
Não viram a hora passar, experimentaram todas as posições possíveis, e só se deram conta quando o dia amanheceu.
- eu disse Edson que precisava chegar cedo em casa...
- Mas ainda é muito cedo... ( que porra de Edson, ela ficou louca?).
- Vou sair vuada Edson, depois te ligo, fui....
E ele ficou sentado na cama, pelado, olhando a porta aberta que ela nem se deu ao trabalho de fechar e pensando em quem seria o Edson.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

O ARTISTA QUE PRESENTEAVA.


Ele fazia umas obras bastante elaboradas. Não economizava em tempo, trabalho e garimpagem de elementos cénicos. Só produzia quando tinha a certeza do destino de cada peça. Trabalha inspirado pela pessoa da família que receberia a obra e só presenteava pessoas da família.


Um dia após o almoço, alguns familiares começaram a conversar depois de haverem bebido um tanto a mais, e eis que na conversa surgiu a ideia de ele presentear alguns familiares que haviam desaparecido a bastante tempo, tipo aqueles parentes que vão se afastando por conta de pequenos maus-entendidos, fofoquinhas e invejas incontidas.


Ele saiu então em busca de identifica-los e localiza-los. Nisso tias velhas e avós deram uma valorosa colaboração. Mas foi com um álbum de fotos da família muito bem conservado que ele achou o caminho para sua inspiração. Ele encontrava o familiar pela foto e nela se inspirava para

desenvolver a obra, depois ia em busca do parente para entregar o presente.


Para um primo solteirão ele elaborou uma peça que era um pneu de caminhão pintado de azul claro, no centro do pneu fixado com tirantes de fio de latão um gato morto envolto em resina.


Foi preciso uma caminhonete para levar a peça ao kitnete do primo que não tendo como receber o presente correu para dentro do prédio e chamou a policia.


Para uma tia afastada que vivia na cama a anos por conta de um AVC ele elaborou uma espécie de armário vertical feito por caixotes que giravam sobre um eixo central e que tinham portinholas dos dois lados que quando abertas mostravam bonecas simulando sexo explicito entre mulheres. A tia que também tinha cataratas não entendeu o significado da obra, mas agradeceu antes que ele fosse colocado para fora a golpes de bengala do tio ainda relativamente inteiro.


Obstinado viajou até a Patagónia onde achou um pinguim morto na praia. Empalhou o bicho e dentro dele colocou uma caixinha de musica que tocava sem parar. Deu de presente para uma prima de sua avó que morava sozinha em Piracicaba.




sexta-feira, 3 de julho de 2009

RÉU.

Começa o julgamento.
O meirinho avisa: - Todos de pé!
Entra o juiz e nota que o réu esta sentado.
- O Sr. Não ouviu que era para ficar de pé?
- Ouvi, e dai?
- Que falta de respeito é essa? Cale-se!
- Calo porra nenhuma, este é o meu julgamento, trataremos sobre o meu destino, falo a hora que eu quiser.
- Vou expulsa-lo do tribunal.
O réu vira-se para o público aponta o dedo na direção do Juiz e fala:
- Vou mandar esse cara tomar no ...
- Guardas retirem o réu...
Ele começa a dar porrada nos guardas, no auxiliar do promotor, nos estagiários da primeira fila, no seu próprio advogado de defesa, em sua namorada, em todos os membros do júri, bate prá cacete no meirinho e das umas porradas prá valer no Juiz. Sentindo que ainda tem algum ódio no coração volta aos guardas e faz os três desmaiarem com pontapés na cabeça.
Senta-se novamente em sua cadeira e aguarda por 15 minutos, serenamente ao som de choros e gemidos.
Findo os 15 minutos vai até o Juiz e ajuda-o a recobrar os sentidos.
- Excelência, o Sr. poderia anunciar agora minha sentença? Já estou ficando meio entediado.

GRUDE DO CARALHO.

Não aguentando mais a mulher mandona que tinha fez a mala perto das 5 da manhã.
Fez café, e desejou ser fumante para fumar um último cigarro. Preferia não fumar Camel.
Sua mulher desesperada colou a mala ao chão, firmemente.
Ele lamentou a perda da mala.
Tranferiu tudo para duas sacolas de supermnercado.
Algum tempo depois a prefeitura precisou alargar a rua.
Nem os operários conseguiram remover a mala.
Ela era grudenta mesmo.

JOHNNY

Hidelbrando adotou o apelido de Johnny.
Comprou um Cadillac sem motor.
Tatuou o carro com o desenho que viu no ombro do cara que lhe roubou sua garota.
Fez um ano de academia para criar massa muscular.
Johnny saia todos os dias empurrando seu carro pelas ruas onde sua ex-garota poderia passar.
Fez isso todos os dias por 6 meses seguidos.
Tomou muita chuva e teve insolação.
Ganhou muita massa muscular.
Um dia descobriu que já fazia mais de ano que sua ex-garota tinha fugido prá outro estado, com a namorada de sua prima.

AS LÁGRIMAS DO PEIXE

Oxford University, 1972, uma vaia estrondosa balança o prédio.
82 anos antes.
Um biólogo estuda caracteristicas variadas de quase todas as espécies de peixes.
Desfruta de verbas da universidade e por 38 anos de estudos acumula dois gabinetes de anotações, que ocupam jornadas integrais de dois assistentes dedicados.
Morto por um ataque do coração, seu filho também biólogo, depois de dois anos de interrupção retoma os estudos do pai baseado em suas anotações e rigorosas recomendações herdadas do velho professor.
Mais 41 anos de estudos exaustivos, mais 2 gabinetes de anotações e 5 assistentes dedicados e ele finalmente se debruça sobre todas as anotações para a redação do resultado final.
Um ano de trabalho para fazer a redação.
Chega a frente da bancada, 15 minutos de aplausos após serem anunciados seu nome e de seu pai.
Ele entrega o relatório ao presidente da bancada.
Uma página.
3 palavras.
O homem lê incrédulo.
Sente-se mal, devolve a folha e pede que o autor a leia para todos. Retira-se da sala no entanto.
O professor lê: Peixes não choram.